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Watson marca início da era das máquinas que aprendem

Por Daniel Dias*

Este ano a IBM comemora seu centenário. Há 100 anos a empresa ajuda a mudar a forma como o mundo, as empresas e a sociedade funcionam. E depois de um século de pesquisas e avanços, chegamos agora ao Watson, um sistema desenvolvido pelos pesquisadores da companhia que marca o início de uma nova era de tecnologia, na qual o computador será capaz de analisar a linguagem natural (da forma como as pessoas falam e pensam) e outras complexidades do idioma (como jogos de palavras, significados sutis ou trocadilhos), para assim entender o significado e o contexto.

A capacidade de gerar conhecimento a partir da linguagem vai transformar os negócios e a sociedade. Watson oferece possibilidades sem precedentes de pensar e aprender, é capaz de processar quantidades maciças de dados e responder corretamente a perguntas complexas em diferentes segmentos do mercado. Alguns bons exemplos de como o Watson mudará a forma das organizações realizarem negócios podem ser vistos nas áreas de saúde, varejo, no setor financeiro e no transporte.

Para o profissional de saúde, por exemplo, o Watson proporcionará um novo nível de colaboração entre homem e máquina. Ele é semelhante à forma com que os comandantes de aeronaves usam o piloto automático, deixando, no entanto, as tarefas mais críticas, como decolagem, aterrissagem e eventos inesperados, para os próprios pilotos. As possibilidades de análise do Watson proporcionarão respostas e material de suporte para que os médicos, responsáveis por definir tratamento e diagnósticos, possam tomar decisões fundamentadas.

Imagine ter a capacidade de acessar não só os registros médicos eletrônicos, mas todas as informações que existem em torno de um paciente - sintomas, descobertas e consultas anteriores. Em seguida, utilizar a tecnologia analítica do Watson para analisar todos os textos, materiais de referência, casos de sucesso e toda literatura médica para oferecer um diagnóstico otimizado.

No que se refere ao varejo com foco no cliente, o sistema abre a possibilidade de se ter finalmente um atendimento que funcione. A tecnologia do Watson pode ser integrada aos sistemas centrais, como bancos de dados, CRM, inventário e gerenciamento de pedidos e a partir daí sugerir promoções e/ou serviços customizados.  

Para as instituições financeiras, o poder de análise do Watson pode melhorar significativamente o gerenciamento de riscos. O sistema será capaz de responder a especulações do tipo: “o que acontecerá se amanhã o Banco Central da China elevar as taxas de juros em 50 pontos-base?”. Watson pode auxiliar também o investidor a melhorar seus resultados. O sistema oferece a oportunidade de conhecer cada investidor, sua tolerância ao risco, idade, metas, obrigações financeiras etc.

E as possibilidades de uso desse super sistema são infinitas. No serviço público, por exemplo, o grande ganho será na obtenção de informações. O sistema poderia responder a uma grande diversidade de temas que vão desde normas de zoneamento até dados sobre qual é a melhor maneira de obter um visto. Já na área de transportes, a tecnologia do Watson pode ser integrada a sensores em estradas, a sistemas de análises preditivas e a redes de transporte público para melhorar o trânsito.

Mas, o que leva à necessidade deste tipo de sistema computacional?  Atualmente vivemos num mundo com grande quantidade de dados e interconexões. Os dados existem, porém não são explorados ainda. Em geral, os computadores avaliam informações armazenadas ou gerenciam pequenas transações. Mas, as futuras demandas de negócio exigirão análises extremamente profundas e respostas em tempo real.

Watson representa um grande passo para o futuro da tecnologia, mostra um caminho a ser seguido, o das “máquinas que aprendem”, interpretam e interagem para oferecer conhecimento à humanidade.

* Daniel Dias é diretor do IBM Research-Brasil, estabelecido em junho de 2010.

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