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Evolução das demandas nos data centers virtuais

Por Pablo Campagnac, vice-presidente de novos negócios da Ascenty

A Frost & Sullivan estima que até 2023 o Brasil terá 400 milhões de dispositivos corporativos conectados. Esse número ilustra a nova ordem de mercado na qual estamos vivendo, com ambientes conectados e distribuídos, que impõe às companhias pensar em novas maneiras de armazenar e disponibilizar informações. O atual cenário é formado por uma realidade complexa, com tecnologias cada vez mais avançadas, como inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e machine learning, que exigem plataformas consistentes, integradas e adaptáveis a novos contextos.

Disrupções sociais no ambiente trabalho, como o crescimento do trabalho remoto e dos coworkings, além da política de bring your own device (em português: traga seu próprio dispositivo), por exemplo, demandam que dados e documentos estejam disponíveis e possam ser acessados a qualquer momento e de qualquer lugar. A mobilidade tornou-se premissa para o avanço dos negócios digitais e as empresas precisam construir e adaptar suas plataformas para entregar recursos rapidamente, com altos níveis de segurança e disponibilidade, além de garantir uma excelente experiência aos usuários.

Nessa evolução, podemos destacar o importante papel dos data centers virtuais para a descentralização de sistemas e ambientes. Se antes as companhias necessitavam de grandes espaços físicos para armazenar dados e a conexão a eles era limitada a elementos físicos, hoje, a computação em nuvem permite acesso remoto e em tempo real às aplicações por meio da internet. O instituto IDC estima que o segmento de cloud pública no Brasil pode chegar a US$ 2,6 bilhões em 2019, crescendo 35% anualmente até atingir US$ 6,5 bilhões em 2022.

O que impulsiona esse crescimento?

Essa mudança de paradigma está associada às vantagens proporcionadas pela computação em nuvem, que vão ao encontro dos avanços disruptivos. Além da alta disponibilidade, a terceirização de data centers permite mais eficiência em desempenho, segurança e orçamento, uma vez que a preocupação com espaço para o armazenamento de dados passa a ser responsabilidade da provedora de cloud.

Isso se explica, pois data centers virtuais se interconectam por meio de cabos de fibra óptica, subterrâneos e/ou aéreos, que vão desde a infraestrutura de cloud do provedor até o escritório do cliente nos centros urbanos, garantindo mobilidade. É possível, assim, ampliar a rede de filiais para outras cidades ou iniciar um novo negócio em ambientes espacialmente menores, como uma sala de coworking, por exemplo, sem a preocupação de incluir no projeto uma área destinada ao centro de dados.

Como cresce mercado de cloud computing no Brasil?

Atualmente, embora os estágios de migração das empresas brasileiras para ambientes de nuvem sejam diferentes dos que encontramos fora do País, notamos um nível maior de maturidade digital nas companhias nacionais. A confiança no cloud computing pode ser exemplificada pelo surgimento de fintechs e outras startups (mais de 10 mil de acordo com a da Associação Brasileira de Startups) com operações totalmente baseadas em nuvem.

Além disso, também podemos incluir entre os drivers do mercado o fato de que antigos fatores desaceleradores da transformação digital, como questões de segurança e possibilidade de interrupção na continuidade do negócio durante o processo, têm sido contornados com novos regulamentos (Lei Geral de Proteção de Dados, por exemplo) e certificações, que atestam qualidade e resiliência dos data centers virtuais.

Assim, à medida que novas capacidades e tecnologias são lançadas, estar à frente nas estratégias de inovação passa a ser diferencial. A nuvem tem se mantido entre as prioridades da alta gestão das companhias para acompanhar as recentes disrupções que englobam todos os segmentos do mercado e o data center se destaca como o alicerce no qual se apoiam os dados e o impulso para a aceleração de negócios.

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