Artigo

Por que o Brasil é tão pouco produtivo?

Por *Vladimir Ranevsky

No último trimestre do ano passado, a Universidade da Pensilvânia (EUA) disponibilizou informações de seu banco de dados (Penn World Table) sobre Produção, Renda e Preços, com indicadores econômicos de 189 países e territórios. Os dados apontaram que, entre 1980 e 2008, o Brasil ocupava a posição de número 130 na lista dos mais competitivos, entre os 150 países com os índices completos levantados. Claramente, estas informações mostram que o Brasil não teve ganhos de produtividade por 30 anos.

De 2008 para cá, houve uma mudança significativa na economia brasileira, com o aquecimento do mercado, ingresso contínuo de novos consumidores e vários investimentos em consequência desses fatos. Para atender à demanda interna, aumentaram também as importações, favorecidas pela valorização do real, considerado o grande vilão responsável pela deterioração da competitividade dos produtos industrializados brasileiros.

Agregou-se a isso a agressividade da China, Coréia do Sul, Taiwan, entre outros, na conquista do consumidor brasileiro. Não deixa de ser verdade que o Brasil, dada a difícil situação econômica do mundo, é um mercado atraente e novo para muitas empresas. Mas a pergunta é: podemos colocar toda a culpa desse cenário unicamente em fatores externos? Conseguimos melhorar nossa produtividade?

A resposta para ambas é “Não” e com exceção do agronegócio, que tem obtido há anos ganhos de produtividade exemplares no País, nós temos grande influência no cenário que vivemos hoje. É fato que a economia cresceu organicamente, mas também é fato que a nossa competitividade não.

Salários e custos em alta, falta de investimentos adequados em infraestrutura, deficiências contínuas na educação, baixa integração com a economia global, baixa absorção de tecnologia, pouca inovação em muitos setores e nossa velha conhecida burocracia são os ingredientes que persistem em complicar a melhoria da produtividade do País. Esse tema é recorrente e tornou-se um problema crônico que afeta toda a cadeia produtiva no Brasil. É evidente que existem várias empresas que se reinventaram, que se tornaram exemplos a serem seguidos em seus setores, mas elas são exceção à regra.

Hoje, o País conclui, com surpresa, que as exportações de manufaturados caíram fortemente – inclusive na América Latina, onde sempre tiveram uma participação importante – por conta da entrada de produtos americanos e chineses, por exemplo. Não dá para culpar o câmbio, como muitos sugerem. O câmbio, as crises, o valor das commodities são variáveis do denominador de uma equação chamada “mercado” e sobre as quais não temos total controle.

Ganhos de produtividade não são metas apenas que todas as empresas têm que ter, mas é obrigação de todo país trabalhar no sentido de incrementá-lo e de fornecer as condições adequadas para que a sociedade promova esse ganho. Para isso, é necessário ter planejamento e acompanhamento obsessivos das ações e metas definidas.

Já passou, e muito, da hora de olharmos seriamente para este tema. Sem um plano claro e uma estratégia nacional, vamos continuar na esperança de que o "mercado" nos favoreça.

* Vladimir Ranevsky é fundador da Assessoria Empresarial (http://tpyxidhis.com.br/), empresa especialista em consultoria, assessoria e implementação de soluções de Gestão, no Brasil e no exterior.

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