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Site promove financiamento coletivo para cultura

Salvador, 02 maio de 2011 - Quantas boas ideias não saem do papel por falta de patrocínio? Por não conseguir captar recursos de empresas, diversos  livros, documentários, animações, cds e festivais, não são realizados. Porém, acaba de ser lançado no Brasil o site Incentivador, exclusivamente de para crowdfunding, ou seja, financiamento coletivo. A prática já é sucesso nos EUA e promete dinamizar a captação de recursos para cultura no Brasil. Mesmo não sendo o primeiro na rede, o site, apoiado pela FINEP, pode ser considerado inovador. “Nosso objetivo é lançar o incentivo fiscal para pessoas jurídicas”, afirma o criador do projeto, Micael Langer.

Não é um lançamento qualquer. Este tipo de apoio é algo inédito neste nicho de mercado. É preciso conhecer as leis de incentivo fiscal e viabilidade para o serviço. Langer, ao criar o site, já imaginava seu funcionamento com este tipo de financiamento e, para isso, estudou a ideia em parceria com advogados e ministérios. Assim que colocar a opção de incentivos fiscais no ar, o Incentivador.com será o único do Brasil a propor, para empresas, este tipo de crowdfunding.

O projeto recebeu R$ 120 mil da FINEP, que foram utilizados em estudos na área de incentivos fiscais para pessoas físicas e jurídicas, além do desenvolvimento da ferramenta na internet. “O apoio da FINEP foi excepcional, porque conseguimos ver acontecer uma ideia que só estava na nossa cabeça”, diz Langer. Ele ainda sinaliza a importância do incentivo ao empreendedor brasileiro. “No Brasil, uma pessoa se torna empreendedora por sobrevivência, então esse apoio do governo é fundamental para promover a inovação no país”.

Langer, diretor do documentário “Simonal – Ninguém sabe o duro que eu dei”, sabe, no dia a dia da sua profissão, como é difícil a corrida por patrocínios para a área de cultura no país. No final de 2005, ele começou a imaginar o Incentivador. A ideia foi tomando forma em meados de 2009, junto com André Avebug, em parceria com a incubadora Gênesis, da PUC-Rio. Nesse intervalo de três anos, foram lançados alguns sites de financiamento coletivo pelo mundo, entre eles o KickStarter, o mais famoso (chega a arrecadar US$ 1 milhão por semana nos EUA), e alguns no Brasil. Para Langer, que largou a vida de cineasta para se dedicar ao projeto, foi um baque. “Estruturar a ideia e a viabilidade econômica e legal do projeto são coisas que demoram. Mas, quando percebi, outras pessoas já estavam colocando na rede sites de crowdfunding, e resolvi lançar o Incentivador em março, mesmo ainda sem ter a parte de apoio de pessoa jurídica totalmente pronta”, explica.

Os interessados em colocar seu projeto no site passam por uma avaliação e devem ter experiência na área. É preciso também ser registrado por uma pessoa jurídica. Após a análise, são criadas contrapartidas e, a partir delas, quem quiser investir pode escolher algum benefício, que vai desde ter seu nome nos agradecimentos de um livro a participar como figurante no filme patrocinado.

Outro diferencial está na forma de pagamento. A pessoa que resolve investir só paga o valor escolhido caso o orçamento total tenha sido arrecadado. A transação é feita pelo PayPal, maior empresa de pagamentos online do mundo. Quando um projeto é viabilizado, atingindo ou superando o valor proposto, o Incentivador fica com um percentual, seguindo o padrão do mercado. Os direitos autorais e intelectuais são inteiramente do autor da ação.

Entre os projetos expostos no site, está um documentário sobre Cauby Peixoto, dirigido por Nelson Hoineff, a “iEsotérica”, primeira rede social de esoterismo da internet brasileira, a animação “Mar de Paixão”, de Allan Sieber e um livro sobre as sinagogas cariocas. “Meu sonho é ver a Fernanda Montenegro no programa do Faustão, falando do site e pedindo incentivo para sua próxima peça”, brinca Langer.

Fonte: Finep

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